A hemoglobina glicada mede a fração da hemoglobina dentro das hemácias que tem glicose ligada a ela. A ligação é lenta e duradoura, e uma hemácia circula apenas por um período limitado, de modo que o valor faz a média da glicemia dos poucos meses anteriores em vez de captar um único momento. É o marcador-resumo padrão do metabolismo dos carboidratos.
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Um valor elevado reflete com mais frequência glicemia que vem se mantendo alta por semanas ou meses — o padrão por trás do pré-diabetes e do diabetes, ou do afrouxamento do controle em quem já tem diagnóstico. Valores abaixo da faixa habitual têm menos a ver com a glicose e mais com as próprias hemácias: sobrevida celular encurtada na hemólise, perda de sangue ou transfusão recente, gravidez, doença hepática ou renal avançada. Um único resultado fora da faixa é motivo para repetir o exame e conversar com um médico, não uma conclusão em si.
Tudo o que altera a renovação das hemácias ou a estrutura da hemoglobina distorce o número — variantes de hemoglobina, deficiência de ferro, hemólise, transfusão recente, tratamento com eritropoetina —, de modo que um valor inesperado é às vezes uma questão de hemácias, não de glicose. Diferentemente da glicose, não exige jejum e não é afetada pela última refeição, pelo exercício ou pela hora do dia. É lida ao lado da glicose de jejum e, quando a questão é a resistência à insulina, junto com a insulina de jejum, o HOMA-IR e o peptídeo C.
Os intervalos de referência são valores gerais para adultos e dependem do laboratório, do método, da idade e do sexo. Servem de orientação, não de diagnóstico — discuta os resultados com o seu médico.